Engarrafamento não deveria ser o destino

Ter carro ainda é considerado uma carta de alforria contra o transporte público, no entanto, os carros ocupam oito vezes mais espaço que um passageiro de ônibus.
Quem anda por João Pessoa deve ter percebido o crescimento do número de automóveis na cidade, segundo a TV CABO BRANCO de 1990 até o ano de 2008 houve um crescimento de 200%, São Paulo no período de 1975 a 1999 esse número cresceu em 345,9%. João Pessoa já é a terceira cidade Nordestina em número de automóveis por pessoa, perdendo apenas para Recife e Salvador, em São Paulo, segundo Manuela Martinez, há 800 novos carros diariamente nas ruas, mais que o número de recém-nascidos, 500. Só para fins de completo, segundo a revista THE ECONOMIST: “Em Bangcoc, Tailândia, a velocidade média no horário de rush é de 3,4 quilômetros por hora, nessas cidades os motoristas têm garrafas plásticas à mão para poderem urinar quando presos no trânsito.”, em São Paulo essa velocidade é no máximo 12km/h. E uma pesquisa publicada em 2004 mostrou que a cada doze ataques cardíacos masculinos, um tem relação com engarrafamento – culpa da associação de estresse e contato com a poluição.
O Supermercado Extra veio a João Pessoa com a promessa de trazer conforto, bons preços e comodidade a sua população. É a modernização mudando nossos hábitos, como nas outras grandes cidades, agora em João Pessoa é possível fazer compras até uma da madrugada, domingos e feriados. No entando há um revés nessa história. A localização do Extra na Epitácio e sua principal via de acesso foram construídas visando, somente, facilitar a entrada do Extra. De repente, João Pessoa perdeu o lado direito da sua principal avenida. Agora, ônibus são obrigados a disputar espaço com carros e para agilizar seu trajeto jogar os passageiros da direita para esquerda.
Nosso transporte Público é decadente, não temos metrô, os trens urbanos são um lixo, e os ônibus que deveriam tornar-se o escape dessa confusão além de possuir elevada taxa de de R$1,70, são a forma quase que humilhante de chegar ao trabalho. O horário é flexivel, havendo atrasos de até 30 minutos e nos horários de pico podemos deparar coma falta de solidariedade (lê-se educação) dos usuários que não cedem seus lugares as pessoas que deveriam ter preferência, não se oferecem para segurar o peso do outro, dando o mínimo de conforto ao próximo, não há teinamento para o motorista que não se importa com a lotação do ônibus, faz zigue-zague na pista jogando os passageiros de um lado para outro ou ultrapassando o limite de velocidade, é possível vê dentro desse transporte as pessoas sendo jogadas uma contra as outras nas curvas, como se fossem bichos. Além de pedintes e assaltos.
Acho que, o valor da passagem deveria garantir o mínimo de dignidade aos passageiros, não basta uma frota conservada, é necessário mais ônibus para suprir a necessidade da população, horários rígidos e treinamento tanto do cobrador quanto do motorista afim de evitar constrangimentos. João Pessoa está caminhando para o caos no trânsito e não vejo nada ser mudado. Nesse panorama não é de se estranhar que as pessoas prefiram enfrentar esse caos latente no conforto dos seus veículos, no conforto do automóvel particular.
E aí, tem jeito?
As cidades Européias vêm investindo no transporte público, o famoso ônibus de dois andares de Londres é pontualíssimo, ainda, segundo a revista THE ECONOMIST, há incentivos como desconto para usuários fiéis, os bilhetes de metrô e ônibus dão direito a descontos em programas culturais e esportivos. Especilistas compreenderam que subindo impostos de combustíveis, aumentando o preço dos estacionamentos e criando pedágios urbanos (sempre o bolso!), impediam o crescimento da frota de veículos, não basta dar com uma mão é preciso retirar com a outra. Hoje os prédios construídos em Munique não oferecem garagens. O motorista não tendo locais acessíveis para estacionar preferem ir de transporte público. Mas claro, o transporte público é eficiente. Nas cidades européias que seguiram esse modelo, exemplo Londres e Munique, houve uma diminuição do engarrafamento em 20% e os cofres públicos engordaram em 70 milhões o orçamento em 2003, a revista acrescenta que, esse dinheiro é destinado na melhoria de ruas e transporte público que ficou ainda mais eficiente, o número de passageiros aumentou 14% e o tempo da corrida diminuiu em 20%.
Em São Paulo, o modelo adotado foi a utilização de rodízio, onde diariamente é proibido a saída com carros de determinado final. Esse modelo, ao meu vê, apresenta uma falha beneficia quem possue mais de um veículo, mas nem tudo é perfeito. A revista não menciona o modelo Brasileiro, frizando apenas o europeu e o americano. O rodízio vem reduzindo a poluição na cidade de São Paulo, mas ainda não é o bastante, o governo paulistano, segundo a CBN, pretende estender o rodízio, não me pergunte como.
Segundo estudiosos da constituição americana a implantação de rodízios seria um ataque direto ao direito de ir e vir. Na EUA, onde o número de carros por habitanto é de (pasmem!!!!) 0,85, carros e gasolinas são mais baratos quem em outros países, desde 1903 o automóvel está englobado ao estilo de vida americano e nesse país não há um investimento no transporte público. Não sei se vocês lembram, mas Bush foi contra ao Protocolo de Kyoto que faz com que os países venham a diminuir a emissão de gases poluentes alegando que esse tratado afetaria diretamente a industrialização do país. Então, a idéia para diminuir o trânsito foi o desenvolvimento horizontal das cidades, hoje são facilmente encontradas nas cidades rodovias de alta-velocidade.
Volto a frizar a importância do transporte público numa cidade, o congestionamento não deve ser um preço a pagar pelo desenvolvimento econômico, ele é um fator cultural aliado a falta de comprometimento político.
Falta um espírito comunitário, João Pessoa ainda não apresenta muitas opções de trabalho e diversão, então, as pessoas deveriam adquirir certos hábitos que diminuiriam o congestionamento como as caronas voluntárias, exigir dos governantes melhorias no transporte público (pontualidade, mais carros nas frotas, melhorias, treinamento dos motoristas e cobradores), a criação de outra alternativa de transporte, por exemlo metrô, e nas avenidas. Hoje, nossa cidade ainda tem um pequeno trânsito que atrasa nossa vida em meia hora, talvez, mas até quando? Finalmente, falta em João Pessoa um estudo urbano, construção de novas alternativas enquanto há tempo. Enquanto isso não acontece, recomendo um I-POD, MP3, MP4, um bom livro e muita paciência.

*Epitácio Pessoa
as imagens foram retiradas desse site: http://www.miltonjung.globolog.com.br/