Infância 90 (parte 1)

Você vê quando está ficando velho quando no seu momento “recordar é viver” você pensa: “Aquilo que eram tempos…” ou “Bons tempos eram aqueles”.

Eu tive muita sorte de crescer cercada de primos, amigos e irmãos, de passar as férias com os pés no chão, o dia inteiro sem tomar banho e brincando de tudo que eu tinha direito. Ainda não havia essa histeria de violência como há hoje. Os vizinhos cuidavam um dos outros e tive prazer de conhecer quase todas as crianças do bairro pelo nome.

No terraço da minha casa não faltava brinquedo, criança, sujeira marca de mão. Foram 18 anos num bairro na zona Sul da João Pessoa – Água Fria – um bairro simples, fechado com poucos moradores. Graças a esse bairro e as pessoas que nele moravam ganhei uma infância rica, algo inestimável. Minha infância foi cheia de mitos, brinquedos, moda, aventuras, histórias, causos e descobertas. Poucos tiveram infância como a minha. Uma infância pura e livre. E por isso sou um pouco nostálgica e, principalmente, feliz.

Brinquei de dono da rua, esconde-esconde, pega-pega, pega-gelo, barra-bandeira, polícia e ladrão, academia, garrafão, pega vareta, mal-mal, jogo da vida, banco imobiliário, patins (no espaço cultural), pense bem, gênio… Assisti Os Trapalhões, TV Colosso, Porta dos Desesperados, Chaves e Chapolin, Caverna do Dragão, O fantástico mundo de Bobby, Cavalo de Fogo, Capitão Planeta, He-man, She-ha, Ursinhos Gummys, Xou da Xuxa, Carrossel (quem não sofreu com Cirilo?), Chiquititas, Cavaleiros dos Zodíacos… Quando Ana Luiza colocou TV a cabo em casa, assistíamos a tarde o castelo RA-TI-BUM, especialmente, GLUB-GLUB. Me irritei com o “GLU-GLU” do Sério Malandro, com a porta dos desesperados e sempre ia almoçar com a memorável cena do cozinheiro batendo a panela e gritando “Atencion, tá na hora de matarra a fomeeee, tá na mesa pessoal!” e a cachorrada vinha correndo, louca, atrás da comida. Nossa, como foi boa minha infância!

Sempre haviam aniversários e lembro, perfeitamente, que íamos chamar o pessoal de casa em casa para começar a festa. A maioria da festa, quando não possuíam tema, tinham tema simples como palhaço boneca… Os pais deixavam as crianças e elas se divertiam no terraço. Nas férias estávamos sempre juntos na casa de alguém. Mas, nos dias comuns reuníamos-nos a noite, depois do jantar, em frente a casa de Henrique, onde tirávamos “zerinho ou um” e planejávamos a brincadeira do dia. Éramos modista, alguém trazia da escola ou da rua do lado e todos estávamos brincando, era assim que as brincadeiras entravam em nosso universo. Brincávamos disso durante um mês, os mais novos eram café-com-leite, sempre havia aqueles atletas ou os mais velhos arrasavam com todos, mas, de repente não mais que de repente, essa brincadeira sumia, estava fora de moda. E a noite acabava quando o pai ou a mãe saía no portão e gritava o nome, depois disso gerava uma reação em cadeia cada pai começava a sair e chamar o filho. Claro, protestávamos… Mas de nada adiantava! Éramos crianças e alguns de nós estudava pela manhã.

E os objetos? Nos anos 90 houve uma enxurrada de objetos “made in…algum canto” e graças aos baixos preços, aos aniversários e amigo-secreto sempre tínhamos algo diferente para mostrar aos amigos. Eram objetos incríveis! Bolsa-relógio, relógio de algum herói, estojo com botões, walk-talking, monstro que fazia autopsia (esse Henrique tinha), caneta com cores…

Era tanta coisa! E de boa qualidade, devo acrescentar. Ainda não havia esses produtos “chineses-do-raio-que-o-parta” , eram produtos da estrela, grow… Que se fosse preciso poderia mandar consertar que valeria a pena. E até hoje fazem sucesso, algum dos objetos que estão sendo lançados para as crianças de hoje, são na verdade, “relançamento”. Sim, eu vivi um década de inesgotável criatividade por parte dos inventores.

Lá no Água Fria, todos os anos, havia uma palhoça, onde faziam desfiles, quadrilhas (eu ganhei a garota mais animada) e gincana. E isso era o ponto alto das férias, haviam ensaios, times e muita diversão. Parece que foi ontem, ainda consigo vê Júnior de Emília, eu com a roupa de cigana , Rodrigo narrando a quadrilha e todos dançando. O bairro todo se reunia naquele “campinho” para vê a festa.Lembro-me que organizávamos assustados, onde colocávamos discos bem alto e dançávamos no terraço de casa. No inicio era show da xuxa, mas teve Beto Barbosa, Chiquititas, Tiririca, Mamonas Assassinas, É o Tchan…Então, eu vou vê se abro um espaço no blog para falar da minha infância. De vez em quando deixar uma história, ou colocar algo sobre esses programas.

MATERIAL ESCOLAR:

Voltar as aulas é muito bom, né? Principalmente quando se é criança e é MELHOR AINDA!!! Eu adorava pegar a lista e ir com minha mãe na LIVRARIA LEGAL comprar todas essas coisas MA RA VI LHO SAS. Acho que minha mãe não gostava muito, pois acabava sempre comprando muito mais do que devia. Mas eu era criança, volúvel e louca por MATERIAL ESCOLAR. 

Chaveiro Musical

Chaveiro Musical

Embora eu não lembre se ele enlouquecia ou não os professores na sala de aula, acho que não. Eu tive! Eu Ramon e Rodrigo, desse mesmo jeitnho… Tinha vários sons bobinhos como metralhadora, ambulância, queda essas coisinhas bobinhas, mesmo
“Com as canetinhas Playcolor, é um prazer, a gente pintar. O colorido fica sempre tão bonito! O arco-íris com inveja vai ficar! Com as canetinhas Playcolor você vai descobrir, colorir com alegria e descolorir!”
Era o máximo! Eu nunca tive, mas quem tele pode confirmar, era o máximo! Tinha uma canetinha branca que servia para apagar as coisinhas, muito massa! E você poderia colocar um monte de detalhe branco se quisesse no desenho. Pena que aos poucos as canetas coloridas sujavam a branca e ela perdia a mágia. Meu irmão está comentando que deixou de ser feito porquê era tóxico, será?
s Playcolor
Toque Mágico

Toque Mágico

Quando minha mãe chegou com essa tecnologia inovadora “toque mágico”, ela simplesmente disse: “É para apagar” e eu achei que era um substito da borracha. Lembro que fiquei dias usando para apagar caneta grafite e adorando, quando era mais prático (principalmente quando você faz 3ª série) usar borracha.

Mochila Company

Mochila Company

Quem não tinha?! Eu tinha uma e acho que quem não tinha tinha uma da Oxigênio, ou coisa assim. Todo mundo tinha uma! A minha era verde e a de Ramon azul, ou era o contrário.

 Caneta de 20 Cores
Caneta de 20 Cores

Cada cor um cheiro e eram tantas cores… Tinham marcas da Angélica, SérGIO Malandro e tinham cores inúteis como verde-lomão e outras que nunca mais verei. Nailinha, minha cunhada, possui uma.

Clips

Clips

Esse clip foi uma febre. Usávamos para prender papel, fazer colar, pulseira, brinco… Vinham dentro de uma maçã que cabia 15 a 30, havia umas coisas maiores com 100. Era muito divertido. Sobre a parte de vestir aposto que vocês estão morrendo de rir, mas fomos uma geração estranha.

Estojo Automático

Estojo Automático

Estojo com Botões Rosa

Estojo com Botões Rosa

Estojo com botões… Uau! Eu lembro, eu tive um rosa. E não cabia muito lápis, os modernos vinham com porta livro, como esse… Havia compartimento para tudo, borracha, lápis, clips, régua, cola, lupa… Era o máximo. Por que não fazem mais? Ramon está comentando aqui que não cabia quase nada, então, éramos “obrigados” a carregar dois estojos dentro da bosa. Mas tínhamos um estojo automático para não entrarmos na ralé da primeira série.

Caneta Bic Quatro cores

Caneta Bic Quatro cores

Lápis que troca a ponta

Lápis que troca a ponta

Régua com água dentro

Régua com água dentro

Lapiseira de coração

Lapiseira de coração

Haviam esses tesouros dentro do estojo.

Esse post é dedicado a Natalício porque ele me inspirou para escrever esse texto e também porque eu o amo muito. Aos meus pais, meus irmãos, primos e aos amigos do Água Fria, minha infância não seria tão rica sem vocês…