A estrada…

pincel-na-estrada

Muitos autores costumam comparar a vida a uma estrada, para mim, não há comparação melhor. Imaginar a vida como uma estrada longa, cheia de curvas e bifurcações onde podemos encontrar pessoas ou nos separar, “sua história comigo termina por aqui” e aqueles que antes seguiam juntos dobram em sentidos contrários, um pela direita e outro pela esquerda. Você pode até sentir o barulho do coração partindo. E o amargo sabor do adeus, que rasga as entranhas de quem acreditava que ainda era possível seguir junto.  Quer coisa mais amarga?

Outra coisa triste e dolorosa, é quando ainda que seguindo juntos na mesma estrada, estejam de lados opostos, no comodismo repetitivo, acreditando não estar só. Quem presta atenção nos “companheiros” podem perceber que há tempo ali tudo acabou, se as mãos se tocam é por mera casualidade, automação… Cazuza chama de “solidão a dois”, você tem alguém ao seu lado, mas está sozinho. Essa pessoa é apenas um instrumento de combate a solidão, vocês já não pensam igual, já não gostam das mesmas coisa e nem sequer tem interesse de ficar juntos, mas se a solidão aperta há alguém ao seu lado. Em outras palavras, paleativo, uma dose de  chilocaína em cima do dente doendo. Eu posso até vê aquele casal seguindo, ambos cabisbaixos, num silêncio interrompido apenas para falar da vida alheia. Não há mais nenhum assunto em comum, juntos podem odiar um vizinho ou criticar um ao outro.  E num momento de estupidez um agarra o outro e busca noutro o que falta em você. Você nunca ouviu falar que a solidão é a falta de si? Assim, não adianta a companhia de outro quando a sua metade está perdida. Nada lhe preencherá e a solidão irá continuar.

Sinceramente, não sei o que é pior o comodismo de permanecer numa relação finalizada ou ficar quando só o outro percebeu o fim. Em qual dos dois barcos você gostaria de afundar? Sozinho vendo quem você jurava que era o barco de salvação indo ou ficando com alguém com quem você não gostaria de terminar e suas últimas palavras não seriam compreendidas ou se propagariam num vácuo, não importa, para essa pessoa suas últimas palavras e as primeiras serão esquecidas.

Todo mundo que já teve algumas relações amorosas passou por alguma dessas coisas. A falta de interesse conjunta ou a falta de interesse lateral. E se eu deixasse um enquete aqui, o que vocês escolheriam: Amar e não ser correnspondido ou permanecer numa relação sem amor?

viajar

 

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