Ética e televisão

O Brasil foi o quarto pais a incluir a televisão, a Paraíbs um dos primeiros Estados a receber a televisão e o pioneiro foi Assis Chateubriand, jornalista empresário e polício. Depois disso nenhum meio de comunicação mudou tanto o comportamento da sociedade como a televisão, vivemos, hoje, a era da informação – onde, graças a esse tubo de imagens você pode quase tocá-la. Personalidades como “William Boner”, “Fátima Benardes”, “Silvio Santos” ou “Datena” começaram a fazer parte da nossa vida, são como tios dos nossos filhos que nos visitam diariamente.

Ao longo desses quase 70 anos a televisão tornou-se um “quarto poder” – ao lado do legislativo, executivo e judiciário – democratizou a informação, transformou verdade, teve grande participação nos eventos políticos, elegendo e destituindo políticos, participando de farsas, possui inesgotável poder de convencimento das massas, para muitos se apareceu na televisão é verdade. Em todo o mundo as pessoas passam cada vez mais tempo diante da televisão, no Brasil 43% das crianças ficam mais de quatro horas diária de frente para a televisão[1] assumindo com os pais a responsabilidade de educar essas crianças, segundo o presidente da TV CULTURA Jorge Cunha Lima, “É a TV quem forma ou deforma o brasileiro”. Diante de todo esse “poder de convencimento” da televisão nos perguntamos, onde está a ética? Quem fiscaliza o uso da “liberdade de imprensa” ou seus outros direitos constitucionais?

Alguns poucos brasileiros ainda lembram da história da “Escola Base”, em São Paulo, onde a mídia julgou previamente o fato, encontrou os “culpados” e os condenou a marginalização social, antes mesmo dos poderes Executivo e Judiciário cumprirem tal tarefa. E depois da descoberta da inocência dos seus diretores, nenhum deles tem uma vida normal hoje, eles já tinham sido punidos pela sociedade. E a história se repete no caso “Isabela Nardone”, onde, durante a fase de inquérito já diziam que o pai da vítima seria o autor do assassinato da menina. Se há dúvida a imprensa deveria ter hombridade, a ética, de não publicar tais informações. Mas esse teria que ser o comportamento da totalidade e não de alguns gatos-pingados.

Crimes de grande repercussão devem ter a divulgação controlada. Pesquisa feita pela EUA comprova que a importância que a mídia dá a determinados casos aumenta as chances deles se repetirem. Seria o caso do seqüestro de Eloá Pimentel pelo namorado, ou a série de assassinatos em escolas norte-americana.

O caso é que a imprensa necessita desse tipo de casos para sobreviver, casos que grande comoção como o “caso Isabela” e o “seqüestro de Eloá Pimentel” aumentam em até 40% o número de anunciantes no horário dos principais jornais. Jornais locais que mostram o mapa da criminologia da cidade, mostrando assassinatos diário, o corpo estendido e o sangue escorrendo têm audiência maior do que aqueles que tentam agir com ética. Esses jornais de política sensacionalista e antiética argumentam que não adianta esconder somos livres para assistir ou mudar o canal e o fato de não mostrar não deixará de existir – a violência é fato.

Não podemos ver a televisão somente como vilão, há casos, e não são poucos, em que ela ajuda. São exemplos como, campanhas sociais, conscientização, divulgação de projetos e fiscal do governo.                                                                                                                                                            

Devido a ferida não cicatrizada da ditadura militar, não há como proibir a televisão de divulgar notícias, dá informações unilaterais ou transformar casos em novelas, voltando a citar o “caso Isabela Nardoni”. O que se pode fazer é desligá-la, diminuir seus impactos sobre nossa sociedade. Assim como um vampiro, informações sensacionalistas só entram em nossa casa se convidados. Ainda, segundo o presidente da TV CULTURA, “O que existe é a liberdade do dono da empresa de comunicação e não a liberdade de imprensa”.


[1] Folha de São Paulo 14 de outubro de 2006

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