Festa das Neves – MONGA

Quando Natalício me convidou para ir à Festa das Neves fiquei apreensiva, tive até pesadelo sonhei que éramos assaltados e ele reagia, mas depois que vi uma reportagem na TV CABO BRANCO onde uma mulher contava sobre sua vida e a Festa das Neves, percebi o quanto é importante dar valor a essa festa e a tradição pessoense.

Ir a Festa das Neves é embarcar numa máquina do tempo e recuperar um pouco a infância. é essa a impressão que tive da festa – tradicional e despretenciosa. A festa é realizada no Centro Histórico da cidade. Não se trata de um parque grande, alguns brinquedos, algumas atrações e os mesmos suvenis de a anos atrás. 

Pude dá uma espiadinha na grande e apavorante atração,  Monga – a Mulher Macaco. Uma tenda, aquela voz de “Zé do Caixão” e um cartaz com uma mulher semi-nua virando gorila, um feroz gorila. Para quem não sabe trata de um truque de óptica. Mas vale a pena, pelo suspense feito pelo narrador, pelas crianças que passam ressabiadas pelo local, com medo, mas loucas para darem uma espiadinha pelas frestas e pelos adultos que entram em busca daquela “velha novidade”, um motivo para dar risadas. Era um espetáculo curioso, eu já o havia visto em Pombal, cidade dos meus pais.

O esquema é o mesmo do tempo dos nossos avós, uma mulher no fundo da jaula (hoje com menos roupa) requebra-se e com a voz do narrador ao fundo vai transformando-se em macaca,  King-Kong, ou Monga, como preferirem. Isso enquanto a luz vai diminuindo. Eu fiquei esperando ela correr para a platéia e todos sairem correndo, como acontece em Pombal. Mas Monga me decepcionou… 😦 Nem lembro se ela chegou a rugir, sei que ninguém da platéia ficou realmente horrorizado e após o sacudir das grades, e os apelos de Zé do Caixão, monga voltou a ser a “bela” garota de antes.

Será que houve algum tempo que Monga assustou de verdade? Que as pessoas temiam aquela bela virando fera? Se perguntavam como a bela e a fera poderiam se reunir naquele mesmo corpo?  Talvez nem precisemos buscar no passado ou truque de espelhos para encontrar a Monga. Há uma porção Monga dentro de cada um de nós, reprimidada, presa dentro de grades e esperando, feroz, o seu momento. É nesse momento Monga que conseguimos magoar a todos, ferir quem amamos e a nós mesmo. Mas, com um pouco de paciência, diálogo, amor e compreensão podemos domar a Monga interior e fazê-la trabalhar a nosso favor.

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