Enamorados e ridículos

            Álvaro Campos dizia: “todas as cartas de amor são ridículas”, acrescento que todos os enamorados são ridículos e, acima de tudo, repetitivos. Pode perguntar a sua mãe/tia, avó, sobrinha, empregada como elas faziam lá no seu tempo quando estavam no inicio do namoro.E elas contarão que ficavam horas esperando o telefonema do amado em casa, porque houve uma época que não existia celular (acredite se quiser!) e que executariam qualquer pessoa que ficasse no telefone ocupando a linha. Contarão  das fugas, das mentiras, dos telefonemas para saber se ele estava ou não em casa. Das encontros “acidentais” na frente da casa dele. Ou daquela jararaca que não largava do seu pé. E quando elas contarem  de quem elas tinham ciúme, pasme, é justamente a mesma figura, aquela jararaca que você tem ciúme. Pode abrir um livro, esse filme você já viu. Praticamente tudo igual, as pessoas apaixonadas vivem no mesmo planeta (que não é esse) e dividem o mesmo enredo, são absolutamente idênticas. Porque nós como nos apaixonamos somos iguais, ridículos!

            Ser feliz não é pecado, embora a felicidade seja desprezada por muita gente. Se você está apaixonado, aconselho deixar bem claro para as pessoas de casa. Só para não correr o risco de alguém chegar chamar uma ambulância e um enfermeiro mandá-lo para manicômio, ou o diabo que o parta. A felicidade ainda sofre muito preconceito. Pessoas apaixonadas, então… É capaz da sociedade marginalizar, torcer pela sua infelicidade, ser taxado como pessoa vazia e sem conteúdo.

É comum entre os casais apaixonados a troca de carinho, os apelidos, a conversa de adolescente e o linguaja apaixonadês vindo do mundo dos apaixonados. E também é comum alguém considerá-los marcianos dando mais crédito aos pessimistas, aos invejosos e aos angustiados, por um certo mistério, esses parecem ser mais profundos que os apaixonados.

Não seria melhor aproveitar o verdadeiro sentido da vida do que passar toda a vida a questionando?

Fico feliz quando alguém me diz que estar apaixonado, quando fala que é exatamente igual a todos os outros: ridículo! Que por mais séria que seja essa pessoa ela ficou louca quando aquele certo alguém conseguiu atingir o seu coração.

            Amar é muito bom! É muito bom enlouquecer, sair do fundamental. Ligar de madrugada para saber se ele chegou e depois morrer de vergonha ao confessar, planejar uma saída só para usar uma certa roupa e, de certo modo, enlouquecê-lo. Muito bom ter um ciuminho, criar inimigos e divertir-se ao pensar: “eu tenho ciúme disso?”. É maravilhoso poder voar o necessário para a vida valer a pena, enlouquecer o suficiente para vê todas as tragédias da vida e mesmo assim saber que vale a pena vivê-la.

Amar é muito bom. E se você não ama, aproveite o convívio com uma pessoa que está apaixonada antes que ela vá parar no Juliano Moreira, dentro de uma camisa-de-força. Aproveite para entender um pouco dessa loucura lúcida. Pois, se depender dos “não apaixonados” durante muito tempo essa pessoa ficará reclusa. E sua única chance de escapar é o psiquiatra também está apaixonado e esse se enquadrará em todos os sintomas, assim, ambos passarão noite a dentro falando do amor e do seu poder de cura. Amar é muito bom!

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